Acordar no meio da noite e demorar a voltar a dormir nem sempre foi visto como problema. Estudos históricos e relatos de épocas anteriores à Revolução Industrial indicam que o chamado sono segmentado fazia parte da rotina de muita gente, especialmente em sociedades que viviam sob outros ritmos de luz, trabalho e descanso.
Em vez de uma noite contínua de oito horas, era comum que as pessoas passassem por um primeiro período de sono, despertassem por um tempo durante a madrugada e, depois, retornassem para um segundo sono. Esse intervalo podia ser usado para rezar, conversar, refletir sobre sonhos ou simplesmente permanecer em silêncio antes de adormecer outra vez.
Com a urbanização, a iluminação artificial e a reorganização das jornadas de trabalho, a expectativa de um sono longo e ininterrupto ganhou força. O que hoje muitas pessoas interpretam como insônia pode, em parte, ser a persistência de um padrão biológico mais antigo, moldado por condições de vida muito diferentes das atuais.
Isso não significa que todo despertar noturno seja normal ou que deva ser ignorado. Se o problema é frequente e afeta o bem-estar, vale investigar hábitos, estresse e possíveis causas médicas. Mas a história do sono ajuda a lembrar que nem sempre nosso corpo foi feito para obedecer ao relógio moderno com precisão industrial.
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